Oficina sob encomenda
Caso real · análise certificada
Estimo o tempo da peça de olho: se eu erro, perco a margem.
O que entra: código da peça, quantidade, máquina, tempo observadoO que sai: o tempo a colocar no orçamento, como intervaloQuem decide: quem faz o orçamento
Na oficina cada usinagem é peça, quantidade e máquina, e o orçamento sai da experiência. A análise estima quanto tempo é preciso para uma quantidade em uma máquina e quanto da variabilidade depende da máquina em vez da peça, para que preço e data não saiam só no palpite.
No caso real: 2.916 usinagens em 13 máquinas. Mais da metade da diferença entre um tempo e outro, o 53%, não é explicada por nada do que a oficina registra; o tamanho do pedido pesa 32%, a máquina 9%, a peça 6%. Um pedido de uma peça exige em geral 167 unidades de tempo, um acima de dezesseis peças exige 18. Uma máquina não registra o tempo em 53% das próprias usinagens: um buraco de registro, não um milagre.
Sinais, dados, decisão, limite
Sinais de necessidadeorçamentos à mão sobre o desenhomesma peça, tempos diferentes conforme quem estimadesvios descobertos no fim da encomendacomprador que pede prazos certos
Dados em geral já disponíveiscódigo da peça ou da ferramentaquantidademáquinaduração observada
Decisão imediataQuanto tempo colocar no orçamento, como intervalo e não como número seco. Em qual máquina convém. Onde um tempo ausente é um alarme de registro.
Limite declaradoNão há receitas na mesma linha: não calcula a margem em euro e não substitui o arquivo único «horas previstas e reais mais receita por encomenda». A unidade de tempo precisa ser declarada na empresa.
Descartado no relatório: quatro métodos de estimativa comparados com o tempo típico de oficina em peças nunca vistas; refinar o modelo não ganha de coletar duas ou três informações a mais por usinagem. Nota de método: números medidos no relatório certificado; demonstram o método, não prevêem os tempos de outra oficina.
Controle de gestão
Caso real · análise certificada
Todo mês o realizado não fecha com o orçamento — e não sei se é inevitável ou se são itens a mais que não estou considerando.
O que entra: orçamento e realizado por mês, linha e item de custoO que sai: os itens em que o desvio se repete e aqueles em que é só ruídoQuem decide: quem controla os custos
O controle de gestão compara orçamento e realizado por item: mão de obra, material, energia, logística. A análise diz onde o desvio se repete mês após mês, a corrigir, e onde muda de sinal ao acaso, a não perseguir.
No caso real: 144 linhas, doze meses para duas linhas e seis itens de custo. No fim do ano a produção gastou 28.879 euro a mais do que o planejado, 1,15% de um orçamento de 2,5 milhões: um valor que no balanço não alarma ninguém. Somando os desvios sem compensá-los chega-se a 79.948 euro. A prioridade é um item só, as matérias-primas entre julho e setembro: 28.478 euro, 86% do desvio anual daquele item, acumulados em três meses. Ao variar os limiares nenhum dos seis itens muda de veredito.
Sinais, dados, decisão, limite
Sinais de necessidadeplanilha de desvio refeita no fim do mês«estamos acima do orçamento» sem saber qual itemorçamento parado e processos que escorregamtempo perdido explicando desvios que são só ruído
Dados em geral já disponíveispor mês: linha ou centro de custocategoria de custovalor orçadovalor realizado
Decisão imediataSobre qual item intervir. Qual desvio aceitar como variabilidade ordinária. Como recalibrar o orçamento.
Limite declaradoUm ano só não separa um evento de uma sazonalidade. Sem preços unitários e quantidades não distingue preço de volume. Não é previsão de faturamento, nem horas e receita na mesma encomenda.
Descartado no relatório: o mero controle sobre o sinal dos desvios teria perdido mão de obra e logística, 31,8% do movimento bruto; conta a persistência, não o sinal. Nota de método: números medidos no relatório certificado; demonstram o método, não prevêem as contas de outra empresa.
Escritório de exportação
Caso real · análise certificada
A planilha de pedidos do exterior é refeita todo mês, mas não diz quanto o faturamento depende de poucos países e clientes.
O que entra: linhas de pedido com data, país, cliente e faturamentoO que sai: a concentração por país e cliente, e onde abrir clientes novosQuem decide: quem conduz a exportação
O comercial de exportação vive na tabela dinâmica: quem pediu, de qual país, quanto pesa. A análise torna legível a concentração, ou seja, quais países e clientes sustentam o faturamento e onde o risco de dependência é alto, sem inventar um mercado que nos dados não existe.
No caso real: 303 pedidos de 92 clientes em 19 países. Bastam 3 países em 19 para fazer metade do faturamento, enquanto são precisos 26 clientes em 92. A diferença entre os mercados não nasce do tamanho dos pedidos: o número de clientes ativos em cada país explica 82,1% do desvio, portanto a alavanca é abrir clientes nos países já cobertos mas subatendidos. Novembro vale 3,15 vezes um mês médio porque traz 3,4 vezes mais pedidos. E uma armadilha típica dos softwares de gestão: o mesmo histórico marcava um recuo de 60,94% ou um crescimento de 41,30% conforme se comparava um ano incompleto.
Sinais, dados, decisão, limite
Sinais de necessidadea mesma tabela dinâmica todo mês: país, cliente, produto«França e Alemanha sustentam» dito em voz alta, sem ranking estávelmedo de perder um cliente grande sem vê-lo chegarexportação que salva o balanço, mas ninguém conhece a cauda longa
Dados em geral já disponíveislinhas de pedido com data ou mêspaís e clientecódigo de produto e quantidadefaturamento, de preferência 24–36 meses
Decisão imediataOnde empurrar a lista. Quem cobrir de perto. Quão concentrada está a carteira. Qual data usar antes de qualquer gráfico.
Limite declaradoNão inclui frete, tarifa aduaneira e desconto por mercado: é concentração e perfil, não margem líquida. Se o software de gestão trunca os preços, os valores são mínimos, não medidas. Com datas incoerentes no arquivo é preciso escolher uma cronologia antes dos gráficos: faz parte do trabalho, não é um detalhe de informática.
Descartado no relatório: a hipótese «cada país tem um gosto de catálogo» cai, porque saber o país reduz só 5,8% a incerteza sobre a linha de produto. As duas datações do mesmo pedido coincidiam só em 58,55% das linhas: a análise foi refeita nas duas antes de escolher. Nota de método: números medidos no relatório certificado; demonstram o método, não prevêem a carteira de outra empresa.
Adega e laboratório
Caso real · análise certificada
O cliente quer a mesma qualidade do lote passado e eu preciso «correr atrás» dos certificados de laboratório.
O que entra: análises de laboratório por lote e classificação comercialO que sai: os lotes a expedir, reter ou destinar a outro canal, antes do carregamentoQuem decide: quem fecha o lote
Laboratório e certificados já existem. A análise diz, antes de fechar o lote, o quanto aquele perfil se parece com os lotes já aceitos e onde o risco de refugo ou de reclamação é mais alto. Não substitui a degustação: antecipa.
No caso real: 1.143 lotes com onze medidas químicas de laboratório cada um. Só com os números de laboratório o sistema reconhece com antecedência 87% dos lotes de prestígio, 108 em 124 na amostra de verificação, e quando indica um lote como de prestígio acerta em 81% dos casos. A qualidade não está em um indício só, mas em um bloco: grau alcoólico, controle da acidez volátil e estabilização com os sulfitos lidos juntos.
Sinais, dados, decisão, limite
Sinais de necessidaderelatórios de qualidade refeitos à mão para cada cliente ou verificaçãocomprador que pede «como o lote de março» sem uma regra escritanão conformidades e reclamações que chegam depois da expediçãocertificações já em casa, mas usadas só depois
Dados em geral já disponíveisanálises de laboratório por loteresultado do ensaio ou da degustaçãoclassificação comercial do lotehistórico de reclamações ou devoluções
Decisão imediataQuais lotes expedir, reter ou destinar a outro canal, antes do carregamento e não depois da reclamação. Quais lotes proteger antes de cortes e misturas.
Limite declaradoNão prevê o gosto do mercado e não substitui a degustação. Os lotes de prestígio com baixo grau alcoólico escapam com mais frequência. Sem um histórico de laboratório estruturado o primeiro resultado útil pode ser: estes dados não bastam, e eis o que falta.
Descartado no relatório: a hipótese «basta o grau alcoólico», sinal mais forte sozinho mas insuficiente; a densidade resultou redundante com o álcool. Nota de método: números medidos no relatório certificado; demonstram o método, não prevêem os lotes de outra adega.
Setor de máquinas
Caso real · análise certificada
As máquinas já registram estados e medidas, mas falha e modos diferentes de trabalhar se veem tarde.
O que entra: estados e medidas da máquina já registrados, tempos de ciclo e paradasO que sai: o alarme de falha em curso e os perfis de funcionamento em comparaçãoQuem decide: quem planeja o setor
O orçamento e a promessa de entrega hoje saem da experiência de quem conhece o setor. A análise olha o histórico de uso e os estados da máquina, ou do processo, e torna visíveis os regimes: quando a capacidade está de fato cheia, quando um pedido urgente desloca tudo, quando a promessa não se sustenta.
No caso real: as medidas já registradas pelas máquinas mostraram duas coisas. Em mais de 7.600 leituras de estado, o sistema reconhece uma falha em curso em cerca de 84 casos em 100 e, quando dispara um alarme, acerta em mais de 97 vezes em 100: a falha se anuncia como uma subida conjunta de vibração, temperatura e pressão. Em cinco máquinas lidas a cada minuto surgiram oito perfis de funcionamento, com 11,4 pontos de desvio de eficiência entre o melhor e o pior: a primeira alavanca não é comprar instalações novas, é entender por que as mesmas instalações rendem de modo tão diferente.
Sinais, dados, decisão, limite
Sinais de necessidade«prazos certos» na página inicial, mas plano de máquinas de memóriahoras extras e prioridades decididas de viva voz na oficinadatas prometidas e datas reais guardadas em planilhas espalhadascomprador que pede rastreabilidade e relatório, não só a peça
Dados em geral já disponíveishistórico de estados ou medidas da máquina por sessão de trabalhotempos de ciclo e paradasplano ou atraso por máquina, se existirnenhum projeto novo de sensores se os registros já existem
Decisão imediataAceitar ou recusar uma urgência. Deslocar um lote. Prometer uma data que se pode cumprir. Ligar o alarme de falha a uma ordem de serviço imediata.
Limite declaradoNão calcula a margem do orçamento: horas estimadas e realizado são as duas situações acima. Reconhece uma falha em curso, não a anuncia com dias de antecedência. Os perfis de funcionamento precisam ser confirmados em uma janela mais longa do que um dia.
Descartado no relatório: a hipótese «a falha depende do tipo de máquina» é excluída na mesma base; descartados o sensor único resolutivo e o agrupamento só pela eficiência. Nota de método: números medidos nos relatórios certificados; demonstram o método, não prevêem o setor de outra empresa.